segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Hosni Mubarak o nome do general que ocupa o governo há 30 anos eleito em pleitos onde os principais partidos de oposição estão impedidos de concorrer.

“VIVA A VIDA MARIA”

Por Laerte Braga - Jornalista em Juiz de Fora-MG


Milhões de cidadãos egípcios, homens e mulheres vão às ruas na capital Cairo e nas principais cidades do país, exigir a saída de um ditador cruel (existe ditador que não seja cruel?) e corrupto (existe ditador que não seja corrupto?). Hosni Mubarak o nome do general que ocupa o governo há 30 anos eleito em pleitos onde os principais partidos de oposição estão impedidos de concorrer.

Há pobreza, desemprego, barbárie policial (não é privilégio deles, existe no mundo inteiro) e cumplicidade dos militares com a ditadura (é outra característica dos “defensores da pátria” em todos os cantos do mundo, não têm compromisso nenhum com democracia, direitos humanos, liberdade, com o ser humano, são boçais em sua maioria por natureza).

Hosni Mubarak tem bilhões de dólares em bancos instalados em paraísos fiscais, estava preparando seu filho Gamal para sucedê-lo em setembro e não quer deixar o poder. A despeito das declarações públicas de figuras do governo dos EUA, inclusive do presidente branco (disfarçado de negro) Barack Obama, a favor das reivindicações populares, Mubarak é o principal aliado dos norte-americanos na região (ao lado da Arábia Saudita) e na prática, Obama fala uma coisa e Hilary Clinton, sua secretária de Estado faz outra.

Negociam uma saída que permita aos Estados Unidos manter o controle do Egito.

O povo? Que se lasque. Onde já se viu cidadãos comuns escravizados pela “globalitarização” imposta pelo conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A reivindicar direitos?

Pedro Bial, apresentador do programa Big Brother Brasil, décima primeira edição, irritou-se quando uma das participantes negava-se a conceder favores sexuais (digamos assim) a outro participante e que estava à busca de tais prazeres.

Os índices de audiência do programa (a praga existe no mundo inteiro) estão aquém do esperado, logo o faturamento está menor, e em sua irritação, dirigiu-se à moça determinando que ela “facilitasse as coisas” e proclamou a uma de suas heroínas – “viva a vida Maria –.

Em meio a essa ordem do cafetão do programa, o diretor Boninho (gosta de jogar água suja em mulheres que julga vadias e passam à frente de seu apartamento) esmurra a porta para exigir melhor “performance” dos enclausurados no que chamam a “casa mais famosa do Brasil”.

Na prática, na cabeça de Boninho, Bial, dos diretores da REDE GLOBO, quando alguém se sujeita a participar do programa tem que se sujeitar também a toda a sorte de cretinices e bandalheiras do programa.

“Viva a vida Maria”. Com certeza, como todo cafetão, tem um percentual na história e bem maior que o de Maria.

O que os participantes do programa não percebem é que são mortos vivos num contexto em que a televisão busca transformar seres humanos em robôs, em peças de uma engrenagem podre. Exibi-lo em jaulas através da telinha.

A um ponto tal que ex-BBB virou profissão.

Uma das razões da explosão de Pedro Bial foi o conhecimento que Maria em outras épocas fora garota de programa e um a mais, um a menos não significaria nada para ela, mas pontos preciosos na audiência do programa, do monte de telespectadores anestesiados no papel de voyeur, sob o estímulo do espetáculo degradante que a mídia privada promove em todos os cantos do mundo.

Não há moralismo nenhum nisso. Uma prostituta da Vila Mimosa no Rio, ou qualquer Vila Mimosa em qualquer canto do país terá muito mais consciência de si que Maria e dignidade que Pedro Bial. Não tem nenhuma, nem sabe o que é isso.

Barack Obama é um desses grandes engodos da história. Demagogo, vendeu a ilusão de mudanças políticas em seu país, quando na prática segue a mesma política terrorista de George Bush, ou de qualquer Ronald Reagan (sabe-se hoje que não governava nada, esteve com Alzheimer a maior parte dos seus oito anos de governo).

Se os egípcios, em sua esmagadora maioria, são muçulmanos, paciência. Aos olhos dos grandes muçulmanos são sub-gente, contrariam interesses das potências imperiais (na verdade uma só, as outras são adereços, colônias cercadas de bases militares do eufemismo que o terrorismo encontrou para “defender a liberdade”, OTAN – Organização do Tratado Atlântico Norte.)

Essa visão de sub-gente se estende a todos os povos da África, da Ásia, a latino-americanos. Tanto faz que seja o cidadão egípcio revoltado com as humilhações a que é submetido por um governo ditatorial e corrupto, ou a completa degradação da condição de humano no segundo maior tentáculo dos donos, a mídia privada.

O primeiro tentáculo são os arsenais da estupidez nuclear e das armas químicas e biológicas com que “libertam” países como Afeganistão, o Iraque, assassinam palestinos, controlam a Colombia (o tráfico de drogas é favorecido pela ação dos norte-americanos na Colômbia, o ex-presidente Álvaro Uribe é um dos principais integrantes de cartéis de traficantes).

No dia 23 de fevereiro o chanceler brasileiro Antônio Patriota vai se encontrar com a secretária de Estado Hilary Clinton. O encontro será em Washington e Patriota vai ouvir de Hilary que o Brasil só terá um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas se for um aliado incondicional dos EUA. Caso contrário, bye bye.

Patriota tem feito declarações contraditórias, algumas, como a que condenou o voto brasileiro no caso do Irã ainda no governo Lula (foi reprimido por isso, mas no governo anterior). A posição do governo brasileiro na crise egípcia foi omisso e irresponsável, contrário aos compromissos assumidos em campanha pela presidente Dilma Roussef.

A não ser que aconteça alguma surpresa, estamos passando do papel de protagonistas para o de coadjuvantes e Dilma deixando de ser Roussef e virando Serra. Dilma Serra, por mais histéricos que fiquem petistas incapazes de enxergar além do próprio nariz, ou do cargo que ocupam.

E falo do campo da política externa. No âmbito interno está retirando do baú o projeto (que Lula mandou arquivar) de privatização através de parcerias público/privado dos hospitais universitários em todo o País.

De todas essas situações e mais algumas resta uma constatação. Povos, cidadãos, seres humanos são adereços nesse jogo sórdido do capitalismo. E governantes são seres amorais a serviço de uma ordem mundial que mantém campos de concentração como a prisão de Guantánamo e se calam diante da barbárie de ditaduras como a de Mubarak.

Os cidadãos de Israel, boa parte, à revelia dos seus governos nazi/sionistas, começam a perceber que só a paz e o reconhecimento do Estado Palestino vai lhes conferir segurança e criar condições de estabilidade política no Oriente Médio.

Já saem às ruas para protestar contra o nazi/sionismo. Estão cansados de assistir seus filhos morrerem em guerras estúpidas promovidas por governos estúpidos para garantir o petróleo da grande potência terrorista, os EUA.

Na Toscana, Itália, onde mulheres pretendem protestar contra Sílvio Berlusconi (patrão de Gilmar Mendes e Cesar Peluso) despejando milhares de camisinhas à porta do palácio do governo, mas na Toscana se canta uma canção assim.

“E la vida non è la morte/e la morte non è la vida/la canzone è giá finita” (“E a vida não é a morte/ e a morte não é a vida/e acabou a cantiga”).

Ou, como define Melhor Fernandes.

“Fiquem tranqüilas as autoridades.
No Brasil jamais haverá epidemia de cólera.
“Nosso povo morre é de passividade.”

“Viva a vida Maria”. Você não tem nada a ver com a dor e o sofrimento dos egípcios, nem é muçulmana (quem sabe da igreja de Macedo, se assim o for, fique mais tranqüila ainda, basta dar dez por cento ao chefe, ela aprova e garante o reino dos céus).

Siga os conselhos do cafetão. Você vai ser chamada de heroína.

Já os corpos estendidos nas praças do Cairo serão definidos como “radicais intransigentes”, “terroristas” e eles contam que você vai acreditar nisso, afinal, segundo William Bonner, o “o nosso telespectador é como Homer Simpson”. Um idiota.

O único projeto de Obama que não deu certo foram as cantadas em Angelina Jolie. Segundo jornalistas norte-americanos já passaram de dez e a atriz responde simplesmente não.

O resto é jogo de cena e os egípcios se não “entenderem” a importância de se submeter, paciência, vão pagar o preço da democracia na teoria de Madeleine Albright. No mercado do terrorismo norte-americano são duzentas mil crianças mortas à míngua como conseqüência de um bloqueio econômico ao Iraque, isso no governo Clinton.

“Viva a vida Maria”. No final quem sabe Maria ganha um milhão.