segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Por que a maioria tem medo de uma democracia de verdade

Por que a maioria tem medo de uma democracia de verdade?


Heitor Reis (*)


Por que os ricos têm medo de uma democracia de verdade?

Naturalmente, uma democracia de verdade vai dar o poder para quem tem a maioria numérica na sociedade, isto é, para os trabalhadores.

Assim, os ricos, que são uma minoria, perderiam o poder que exercem despoticamente para furtar os operários, através dos baixos salários; os consumidores, através do controle do "livre" mercado; os eleitores, através do financiamento de campanhas políticas; os contribuintes, através da privatização do Estado, cobrando, proporcionalmente, mais impostos dos pobres que dos ricos; enganando os cidadãos, direcionando a aplicação da receita prioritariamente para os interesses da classe privilegiada economicamente.

Para eles a pior coisa do mundo seria uma democracia de verdade. Com o poder nas mãos do proletariado, estes, certamente, iriam cobrar a conta do incomensurável furto do qual foram vítimas durante milênios. O ideal para os mais abastados é algo apenas com aparência de democracia, que permita ao sistema de ensino e mídia vender como se fosse real, mas que seja, na prática uma ditadura.

Desta forma pode manter ou aumentar a concentração da riqueza em suas mãos: 1% da população fica com a metade; 10% abocanha 3/4; os otários restantes (90 %) ficam com apenas 1/4 da riqueza nacional, permitindo que projetos como o "Criança Esperança" tenham como justificar a coleta de doações para salvar algumas delas.


Por que a classe média tem medo de uma democracia de verdade?

A classe média, historicamente, tem sido a capataz dos interesses dos ricos em explorar os pobres, ansiando por um dia também fazer parte do clube. Ou a classe média trabalha diretamente para um capitalista ou para o Estado que é dominado por eles.

Os pequenos capitalistas ainda que aparentemente inofensivos, dependem geralmente dos ricos para comprar ou vender seus produtos, retribuindo-os com seu voto favorável à manutenção do sistema explorador dos demais.

Assim, são raros os membros da classe média que ousam defender que não estamos em uma democracia de fato e lutar para que ela surja entre nós.

A quase totalidade prefere fingir que há uma democracia, acreditando de fato ou fingindo, para evitar que um dia surja outra, de verdade. São conservadores, por duvidarem que uma mudança, trazendo um governo efetivamente do povo, tendo por maioria a classe trabalhadora, permitir-lhes-á usufruir das benesses que os ditadores econômicos lhes propiciam.


Por que os próprios pobres e miseráveis tem medo de uma democracia de verdade?

Durante milênios, as classes mais baixas da sociedade foram disciplinadas a se julgarem impotentes diante da própria ignorância e da capacidade econômica dos mais ricos e estudados, que dominam o Estado e suas forças policiais, raramente ousando tomar-lhes o poder. Os trabalhadores vinham utilizadando a força bruta para tanto, com resultados ínfimos e de curto prazo. Hoje, buscam as eleições como forma para alcançar o que lhes é devido, isto é, transformar a farsa em uma democracia real.

Considerando a possibilidade de fazer a mudança pelo voto, esta possibilidade é quase impossível. Pobre não vota em pobre. Ele acredita que alguém ter um ou mais diplomas, fazer discursos maravilhosos, ter o dinheiro dos ricos em sua campanha, fazer pose de quem sabe tudo, etc., assegura que tal político cumprirá as promessas que faz de resolver os eternos problemas de emprego, educação, saúde, habitação e segurança. Após eleito, irá governar para seus financiadores de campanha, deixando os eleitores chorando sobre o leite derramado, defenestrando a classe política, como se não fosse ela colocada no poder com o consentimento, incompetência e estupidez de suas maiores vítimas. Ainda não é possível determinar quando a massa ignara sairá deste círculo vicioso, extremamente bem montado por seus algozes.

Enquanto os pobres não se convencerem de que candidato com dinheiro é legítimo representante dos ricos, jamais buscarão fazer com que somente mereça ser legítimo representante dos pobres quem também for pobre. E que seu governo jamais será pior que o de quem vai governar para os mais abastados e apenas jogar milgalhas para a turma de baixo, como vem fazendo o governo Lula. Como dá migalhas maiores que as de FHC, o que não lhe falta é apoio popular, pela inediticidade da iniciativa. Enquanto isto, ele aumenta o número de milionários em 20 % em cada ano, destinando à massa salarial um acréscimo de apenas 1 % no mesmo período.

Iludidos pelo pouco pão e muito circo, pobres e miseráveis são eleitores de cabresto eleitoral da Rede Globo, que coloca e tira presidentes do Brasil ao seu bel prazer, conforme a viúva do canalha que fundou a organização criminosa, com ajuda dos terroristas de Estado que governaram o Brasil de 1964 a 1985.

Qualquer mudança neste cenário, ainda está além do horizonte de Eduardo Galeano, já que são raros aqueles que conseguem fugir desta Matrix!


UMA DEMOCRACIA DE VERDADE É POSSÍVEL.


(*) Heitor Reis é engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e em defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho Consultor da CMQV - Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org). Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais ("Copyleft"). Contatos: (31) 3243 6286 - heitorreis@gmail.com